quinta-feira, 2 de julho de 2015

Polícia Federal prende Zelada, ex-diretor da Petrobras acusado de corrupção

Zelada, em depoimento à CPI em agosto do ano passado



A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (2/7) o ex-diretor de Internacional da Petrobras Jorge Zelada, ligado ao PMDB, na 15ª fase da Operação Lava-Jato, apelidada de “Conexão Mônaco”. Os policiais ainda fazem buscas em três endereços no Rio de Janeiro e um em Niterói (RJ).

Zelada é suspeito de corrupção, fraude em licitações, desvio de verbas e lavagem de dinheiro. O foco das investigação é o recebimento de propina dentro da Diretoria de Internacional, que foi ocupada por Zelada após a saída de Nestor Cerveró, que também está preso.

Os investigadores localizaram conta bancárias do investigado em Mônaco, que teriam sido abastecidas com dinheiro do esquema de desvios de dinheiro na Petrobras. Em março, Zelada teve 11 milhões de euros confiscados no banco Julius Bar, no país europeu. O ex-diretor de Internacional da estatal será trazido ainda hoje para Curitiba. A prisão de Zelada é preventiva, ou seja, não tem data para terminar e ficará a cargo do juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, Sérgio Moro.
20% da propina

Em depoimento à Polícia Federal, o ex-gerente de Serviços e Engenharia Pedro Barusco disse que Zelada participava da divisão de propinas vindas da contratação de fornecedores da Petrobras. Ele afirmou que uma parte dos pagamentos eram destinadas ao PT e outra, aos funcionários, a chamada “Casa”. Da parte da “Casa”, 50% ficava com o então diretor de Engenharia e Serviços Renato Duque, 30% com o próprio Barusco e 20% com Zelada.

Segundo delator, Zelada recebeu propinas na construção de plataformas, como a P-51 e a P-52. Um desses pagamentos foi de R$ 120 mil, entregues em espécie na casa do ex-diretor de Internacional da Petrobras, de acordo com declarações de Barusco prestadas à PF em sua delação premiada, no dia 24 de novembro de 2014. O delator disse à polícia que “acha” que Zelada recebia propina no exterior por ter conta no mesmo banco que Renato Duque.

Em Mônaco, a força-tarefa da Lava-Jato encontrou ainda dinheiro de Duque. Lá, ele teve confiscados 20,5 milhões de euros no banco Julius Bar.

Odebrecht
Zelada foi denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro em 2014 por favorecimento em licitações à Odebrecht. Em entrevista à revista Época, o lobista e ex-funcionário da Petrobras João Augusto Henriques disse que ‘montou’ um contrato de prestação de serviços na área de meio ambiente e segurança para ser vencido pela empreiteira.

O contrato foi fechado em US$ 825 milhões, mas depois foi revisto por uma auditoria interna na Petrobras. Desse valor, afirmou Henriques, US$ 8 milhões foram parar na campanha presidencial de Dilma Rousseff em 2010, nas mãos do então tesoureiro João Vaccari, hoje preso na Lava-Jato. O lobista afirma que Zelada também recebeu uma parte do dinheiro.

A Odebrecht e a Petrobras brigam na Justiça por causa da mudança no valor do contrato. A empreiteira e os demais acusados já negaram as acusações.

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