segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Papai Noel de vermelho é coisa da Coca-Cola!


Natal constituiu um momento de renovação dos compromissos cristãos. Somos discípulos e missionários de Jesus Cristo, tendo nele a fonte da vida das pessoas. O Natal é um ato de convocação para uma vida cristã mais comprometida com as causas daqueles que vivem ameaçados na sua dignidade de vida. 25 de dezembro não é apenas e simplesmente para se desejar um Feliz Natal e, muitas vezes mecanicamente.
Como posso desejar Feliz Natal se não respeito os meus semelhantes? Como desejar um Feliz Natal se ando em guerra com minha esposa ou meu esposo? Como posso desejar Feliz Natal se vou à Igreja em busca de fazer média com o padre ou pastor? Como posso desejar um Feliz Natal, exatamente dia 25 de dezembro, se nos outros 364 dias do ano fui omisso e indiferente? Como posso desejar um Feliz Natal tão mecânico? Como posso falar tanto em amor, se não vivo este sentimento? Como posso dizer ‘Pai Nosso que estás no céu’, se não trato aqui na terra as ‘outras’ pessoas como meus irmãos? Como posso dizer que estou em paz, se outros irmãos meus morrem de fome, mendigam pelas ruas da cidade, estão desempregados, desabrigados, desaparecidos, muitos não tendo um teto para acolher sua família? Como posso dizer Feliz Natal se muitos também sofrem com alguma enfermidade? Como posso dizer Feliz Natal aos ‘estranhos’, se convido apenas os meus ‘amigos’ para a minha ceia? Como posso dizer Feliz Natal – Eu te amo! Se a minha fé é apenas teórica?
Infelizmente vivemos um Natal de paganismo, consumismo e individualismo, onde a data não passa de mera época comercial. O dia 25 de dezembro deveria ser um dia não para desejar Feliz Natal, mas, para refletir sobre o meu papel de cristão, de instrumento modelador do mundo, de exemplo vivo semelhante ao Deus que ama, que perdoa, que acolhe e estende as mãos.
Não constituímos uma natureza inerte, formada por objetos dos quais temos apenas que tomar posse como queria o racionalismo de Descartes, confundindo homem e natureza apenas como meios de acumular capital. Somos pessoas, somos sujeitos, com vida e sentimento.
Não basta a frieza marmórea e cruel do "penso, logo existo", é preciso o calor fraterno do "sinto, logo existo". Bonhoffer dizia que "ser para os outros é a única experiência da transcendência".
Deus nos chama a colaborar na busca da verdade, na luta pela justiça, na prática da solidariedade, por cima de todas as distinções confessionais, culturais, étnicas ou quaisquer outras que se possa imaginar. Devemos colaborar até mesmo na oração, numa busca de Deus no fundo do coração, para que homens e mulheres de todas as nações, raças e latitudes aprendam a viver em paz, fraternalmente, como filhos de Deus, desejando um Feliz Natal todos os dias, de coração!
Passamos pelas pessoas e desejamos Feliz Natal; Devolvemos o dízimo, puxamos o saco de padres e pastores e achamos que já fizemos nossa parte; Fui à Igreja e acho que é o bastante; Arrecado brinquedos e presenteio as crianças e acho que sou o bom. É muito pouco, principalmente se isso acontece apenas no dia 25 de dezembro.
O verdadeiro Natal de Jesus deve ser um ato de fé e de esperança, todos os dias do ano. Natal significa nascimento e renovação. O dia 25 de dezembro é meramente simbolismo, pois nem a Bíblia Sagrada menciona. O dia e o mês em que Jesus nasceu não são mencionados nas escrituras. Jesus nasce a cada dia em nossos corações, se assim deixarmos! Papai Noel vermelho é coisa da Coca-Cola.
Mesmo com todas as atitudes de insensibilidade, próprias da cultura sensacionalista pós-moderna em relação ao próximo, precisamos ter marcas de forte presença de compromisso com a vida dos mais fragilizados, dando norteamento para toda a sociedade. Precisamos parar de hipocrisia, sentimentalismo barato. Precisamos abrir nossos corações a todo o momento para a compaixão, a compreensão e a solidariedade.
Que possamos fortalecer nossas forças de compromisso com a Palavra do Evangelho, evitando que o Natal seja apenas um cenário de interesses econômicos, sem a verdadeira espiritualidade profética que ela proporciona.
Elias Reis é Presidente do Sindicato dos Radialistas e discente do curso de direito da Faculdade de Ilhéus.
eliasreis.ilheus@gmail.com

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