quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Queen ainda reina 20 anos após morte de Freddie Mercury

O cantor Freddie Mercury durante show do grupo Queen, em Sydney, Austrália, em 1985
O Queen nunca esteve na moda nem foi uma banda queridinha da crítica --o que não impediu que vendesse mais de 300 milhões de discos no mundo todo e se tornasse um fenômeno de shows em estádios. O Queen, aliás, foi o primeiro grupo estrangeiro a, no auge da carreira, se apresentar no Brasil, num show megaproduzido, em 1981, no Morumbi (São Paulo). 
 
Aos 40 anos, e coincidindo com os 20 anos de morte de Freddie Mercury, completados nesta quinta-feira (24), o grupo britânico ganha uma biografia, "Queen - História Ilustrada da Maior Banda de Todos os Tempos", que acompanha sua trajetória desde a origem universitária até os concertos apoteóticos pelo mundo afora, e tenta desvendar o que está por trás desse amor incondicional dos fãs e da relação conflituosa com a crítica.
 
No caminho, revela o processo de criação de sucessos como "Bohemian Rhapsody", "We Are the Champions", "Another One Bites the Dust" e de discos que marcaram sua carreira, com vislumbres da vida pessoal de seus integrantes. 
 
O título é bem bobo, mas serve para indicar onde se concentra o foco do livro: as mais de 500 imagens, entre fotos de arquivo pessoal dos integrantes, fotos de shows, reproduções de convites, panfletos, capas de disco, ingressos e outras preciosidades gráficas relacionadas ao Queen, como trechos de uma história em quadrinho da série "Rock N' Roll Comics", de Todd Loren.
 
A história do grupo é contada por meio de depoimentos de integrantes da banda, empresários, produtores e fãs ilustres, como Slash (Guns N' Roses), Rob Halford (Judas Priest) e Tommy Lee (Mötley Crue). A discografia completa ganhou resenhas inéditas de um time de jornalistas de música que atuam em grandes revistas especializadas e jornais, como "Mojo", "NME",  "Q Magazine", "The New York Times", "Billboard", "Spin" e outras. É pena que o texto original tenha sido desfigurado por uma tradução descuidada.
 
O livro não traz nenhuma grande revelação, mas o conjunto do material é testemunho da inventividade de um grupo único, que, em seus momentos mais inspirados, conseguiu levar ao grande público uma música ao mesmo tempo sofisticada e popular. O que não é pouca coisa.
 
A banda do início aos dias atuais
O Queen foi uma banda concebida e gestada no ambiente universitário londrino. O guitarrista Brian May era físico e fazia mestrado em astronomia. Roger Taylor, estudante de odontologia, chegou a ele por meio de um anúncio deixado no quadro de avisos na faculdade, que solicitava um baterista para formar uma banda.
 
Tempos depois, Freddie Mercury, aluno do curso de história da arte, apareceu, apresentado por um amigo comum. O baixista John Deacon, estudante de eletrônica, foi o último a se juntar ao grupo, a convite de May.
 
Por conta de seu ecletismo, a crítica nunca os levou muito a sério e nem os tratou com a mesma deferência concedida a outros artistas contemporâneos seus, como Led Zeppelin, David Bowie e Alice Cooper --embora todos esses tivessem admiração pelo Queen. 
 
No começo, a banda fazia uma música que não era nem heavy metal, nem progressiva, nem glam, embora flertasse com elementos desses estilos. Depois veio o punk, e o Queen era demasiadamente "musical" para aderir ao movimento dos três acordes. 
 
Nos anos 80, o grupo se aventurou pela discoteca e a dance music, e foi criticado por abandonar as raízes roqueiras. Além disso, Freddie Mercury era considerado pela imprensa musical inglesa como um cabeça oca arrogante e megalomaníaco. Enquanto a moda era a "anarquia" punk, ele declarava que sua "missão" era "levar o balé às massas".
 
Freddie foi o responsável também por transmitir à banda a sua obsessão com o universo gay sadomasoquista que ele tinha acabado de descobrir, no início dos anos 80, e imprimir o visual "couro e bigode" que ficou para sempre associado a ele e ao Queen. "Nunca fomos considerados um grupo da moda", declarou May recentemente a um programa da TV inglesa BBC, o que, para ele, foi uma vantagem para o grupo, que se sentiu mais "livre".
 
E o público adorava aquela variedade de estilos e visuais embalada com tamanha dramaticidade e um senso de humor peculiar. Os arroubos operísticos de "Bohemian Rhapsody", a interpretação à la Presley de "Crazy Little Thing Called Love", o romantismo delicado de "Love of my Life" ou o escracho de "Fat Bottomed Girls". 
 
Os fãs amavam sobretudo a persona espetaculosa e magnética de Mercury, com seus saltos acrobáticos, gestos exagerados e potência vocal a toda prova. Quando ele morreu, em 1991, de complicações de saúde decorrentes da Aids, há anos o Queen já não fazia shows --nem emplacava um grande sucesso nas paradas. 
 
Mesmo assim, 72 mil pessoas lotaram o show em sua homenagem, feito pelos remanescentes da banda com participações especiais (revezaram-se nos vocais Bowie, Liza Minnelli, Robert Plant e George Michael, entre outras grandes estrelas da época). Televisionado para 76 países, o show teve uma audiência estimada de cerca de um bilhão de pessoas. Números que combinam com a grandiosidade que marcou a trajetória do Queen.
 
Após a morte de Mercury, o baixista John Deacon deixou o grupo e a carreira musical --nem sequer compareceu à introdução da banda à Galeria da Fama do Rock em 2001. May e Taylor continuam a gravar e fazer shows, com a participação de Paul Rodgers nos vocais, e, mais recentemente, com o ex-"American Idol" Adam Lambert. 
 
E para 2012, o grupo promete o lançamento de faixas inéditas: duetos nunca antes lançados de Freddie Mercury com Michael Jackson, gravados no início dos anos 80. Como diz um dos maiores sucessos do Queen, "o show tem que continuar". 

TRECHOS DO LIVRO


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