Imagens registradas por câmeras de um prédio em construção apontam para falha humana como fator que contribuiu para a queda do avião em Santos (SP) no dia 13 de agosto, segundo dois especialistas ouvidos pelo G1. O vídeo mostra o momento exato da queda que matou o candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos, e mais seis pessoas. Outro analista acredita em uma conjunção de fatores.
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), responsável pela apuração do acidente, diz que “desorientação espacial” dos pilotos e o uso de equipamentos nas asas que reduzem a velocidade após a arremetida estão entre as possibilidades investigadas.
As imagens obtidas com exclusividade pela TV Tribuna, afiliada da Rede Globo (veja acima), mostram o jato com o nariz para baixo. Depois disso, atrás de outro prédio, é possível ver a fumaça por causa do incêndio. As câmeras estão instaladas a cerca de 500 metros do local do acidente.
O presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), Marcelo Cerriotti, acredita que o mau tempo na manhã do acidente tenha desorientado a tripulação do jato Citation 560 XL.
“A hipótese de 'desorientação espacial' se torna cada vez mais real. É uma imagem de uma aeronave fora de controle. No avião é tudo muito rápido e pelas condições meteorológicas, ele estaria só com a visualização dos equipamentos, sem a linha de horizonte, a cerca de 200 nós [370 km/h]", disse.
O presidente da Associação dos Pilotos e Proprietários de Aeronaves (APPA), George William Sucupira concorda que uma dificuldade de manobra da aeronave possa ter contribuído para a queda, mas não vê a desorientação espacial como um fator.
“Eu não acredito que pela experiência dos pilotos tenha sido uma desorientação espacial.
Eles estavam enxergando pela camada de nuvens. A imagem demonstra que o avião caiu com o nariz para baixo, na vertical. Fez um buraco e depois quebrou para frente. As peças ficaram totalmente destruídas, o que indica que houve acúmulo de velocidade, aliado ao acionamento dos flaps [instrumentos na asa que reduzem a velocidade de aviões] e queda de nariz”. O mergulho abrupto durante o recolhimento de flaps é arriscado, segundo o fabricante do jato envolvido no acidente.
G1

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