A revelação de novos casos de doações ilegais no município baiano de Monte Santo apontam para a existência de uma organização criminosa que atua na região há pelo menos cinco anos no tráfico de crianças e põe em cheque o sistema judiciário local.
Neste domingo (21), o programa Fantástico, da Rede Globo, revelou três novos casos de doações ilegais de crianças de famílias pobres, moradoras de pequenos povoados na zona rural do município, que fica na região Nordeste da Bahia, a 352 quilômetros de Salvador.
Os três novos casos de doações ilegais envolvem quatro crianças e se somam ao episódio mostrado anteriormente pelo programa, sobre o casal Silvânia Maria da Silva e Gerôncio de Brito Souza, que teve cinco filhos tirados à força de casa e entregues a famílias de São Paulo. Em todos eles, um ponto em comum: a presença de agenciadores que enganaram mães e pais para lhes tirar os filhos.
Ao contrário do caso dos cinco filhos de Silvânia e Gerôncio, em que houve adoções formais, embora repletas de irregularidades, nos três novos casos denunciados pelo Fantástico, a entrega das quatro crianças foi feita pela família biológica, mas sem o necessário processo de adoção, conforme explica o promotor de Justiça Luciano Ghignone.
Há suspeitas, inclusive, de que as quatro crianças foram levadas com documentos falsos e as investigações descobriram indícios de que as falsificações podem ter sido feitas no fórum de Monte Santo.
Por conta disso, o atual juiz de Monte Santo, Luiz Roberto Cappio, mandou fechar os cartórios de registro civil e da vara criminal da comarca. Ele teme que provas da atuação da organização criminosa venham a ser adulteradas ou simplesmente sumam. O juiz também não descarta uma infiltração da quadrilha no serviço público.
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) orientou o Tribunal de Justiça da Bahia a investigar o juiz Vítor Manoel Xavier Bizerra. Foi ele quem mandou retirar à força, de dentro de casa, as crianças de Silvânia e Gerôncio. E era ele o juiz quando as outras três mulheres perderam seus filhos.
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