Foto: Bahia Notícias
A falta de foco em uma só questão, a corrupção, como estava previsto, não permitiu, até aqui, que as marchas que se espraiam por todo o país alcançassem o êxito esperado em número de pessoas. É uma demonstração que pode ser entendida pela falta de informação e/ou politização da população, principalmente a jovem, que antes tinha uma participação mais ativa no processo político. Nas marchas registradas em boa parte do Brasil, inclusive aqui na Bahia, os protestos foram amplos: serviram para que os participantes despejassem o seu inconformismo sobre diversos aspectos da vida pública brasileira. Mas estamos apenas no início. O foco sobre a corrupção vai vingar, afastando-se outros, em futuras manifestações, porque a indignação está em processo crescente. A todo o momento surge um fato que abate o sentimento cidadão. Nessas últimas marchas, abriu-se espaço para o que era absolutamente inesperado, ou impensável, há poucos anos: críticas e descontentamentos em relação ao Poder Judiciário que faz o movimento inverso: ao invés de melhorar, piora. Agora, protesta-se também a favor do CNJ, diante da investida para ceifar seus poderes de punir magistrados em desvio, os chamados “bandidos de toga” pela ministra Eliana Calmon. Entre a última manifestação e as que aconteceram ontem, houve maior número de manifestantes nas capitais e plena cobertura da mídia. Os corruptos têm um inimigo inquebrantável: a imprensa. A tendência é que, pouco a pouco, as praças e ruas do país transformem-se em espaço para se dizer “não” à gatunagem e forçar, ainda, mudanças estruturais nas instituições políticas brasileiras, a partir das reformas desejadas. Estamos só no começo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário